domingo, 27 de dezembro de 2009
Felizmente há Luar.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Mensagem / Lusíadas
O Herói em «Os Lusíadas» e em «Mensagem»:
A intenção em exaltar os heróis que construíram e alargaram o Império levou Camões a torná-los símbolos da capacidade de ultrapassar “a força humana” e de merecerem um lugar na imortalidade.
Os navegantes são o símbolo do heroísmo lusíada, do seu espírito de aventura e pioneirismo de descoberta, assim como da capacidade de vivência cosmopolita. A viagem, mais do que a exploração dos mares, exprime a passagem do desconhecido para o conhecido, da realidade do velho Continente e dos seus mitos indefinidos de raízes medievais, ou sem explicação racional para novas realidades de um planeta a descobrir. Os navegantes, que chegaram à Índia e todos os heróis lusíadas merecem realmente a mitificação decorrente dos seus feitos heróicos.
O épico fala dos heróis que construíram e alargaram o Império Português, para que a sua memória não seja esquecida, enquanto Pessoa escolhe aquelas figuras históricas predestinadas a essa construção imperial, procura simbolizar a essência do ser português que acredita no sonho e se mostra capaz da utopia para a realização de grandes feitos;
Nos Lusíadas, há a viagem à Índia. Na Mensagem, temos a avaliação do esforço, considerando que a glória advém da grandeza da alma humana, apesar das vidas perdidas e toda a espécie de sacrifícios dos nautas mas também das mães, filhos e noivas;
A fantasmagoria de Adamastor mostra que o homem tem de superar-se para ultrapassar os problemas com que depara, enquanto o Mostrengo permite contrapor o medo com a coragem que permite que o homem ultrapasse os limites.
Camões refere o mito de Ulisses entre outros, mas Pessoa expõe a importância do mito como um nada capaz de gerar impulsos necessários à construção da realidade «Ulisses». Os mitos permitem a Pessoa fazer a apologia da sua missão profética, considerando-se investido no cargo de anunciador do Quinto Império. Veja-se os mitos do sebastianismo e do Quinto Império.
Outros Mitos na Mensagem de Fernando Pessoa:
As Ilhas afortunadas: São uma ideia herdada da tradição clássica. Já em autores gregos, aparecem como paraísos, como um local de repouso dos deuses e dos heróis míticos. É aí, nesse lugar, cuja presença só se capta no sono, através de sinais auditivos e pelo som das ondas, que se encontra «O Desejado». Reavivando o Mito Sebastianista, anunciando o Quinto Império, Pessoa procurou, tal como Camões, ser voz da consciência de identidade de que Portugal necessitava e cruza os tempos da história contemporânea de Portugal.
Personificação da geografia física de Portugal: Fernando Pessoa recolheu em Camões alguns mitos, símbolos e factos, mas percebeu ser necessária uma outra proposta para reinventar a Pátria. Camões vê Portugal como cabeça da Europa; Fernando Pessoa, valoriza o seu papel na civilização ocidental, ao colocá-lo como o rosto «com que fita» o mundo «O dos castelos».
Símbolos Unificantes
O Mar: O vaivém do mar conduz à imagem da vida e da morte, associada à visualização da partida e chegada das ondas. O mar contém, por outro lado, o reflexo do céu e é nele que Pessoa espelha a vontade divina, o céu.
As Ondas: Representam a inércia, visto que são movimentadas por uma força que está para além delas.
A Terra: Funciona como receptáculo da vontade de Deus. É também um espaço de recompensa. É o porto que espera os portugueses após um longo período de viagem marítima.
A Ilha: A ilha está associada à terra. Significa a promessa da felicidade da terra. É necessário sabedoria e passar por algumas provações para a alcançar.
O Campo: Está associado à fecundidade e ao alimento.
As Quinas: Símbolo das chagas de Cristo. Cristo é a imagem de sofrimento para marcar redenção dos pecados humanos.
O Castelo: Refúgio onde se realizam os desejos humanos. São um espaço de intimidade e de espiritualidade.
O Timbre: Símbolo de poder e da posse legítima. É um sinal dado por Deus que assegura ao ser humano a ascensão a mundos superiores, através do conhecimento.
O Grifo: Simboliza a união das naturezas; a humana e a divina. É um animal com forma de leão, símbolo da condição de herói.
A Nau: Simboliza a viagem interior, as provações, o caminho a percorrer em direcção ao heroísmo.
A Noite: Símbolo da morte, da ausência de manifestações.
Manhã: Harmonia entre os seres humanos. Tempo de luz, de vida, de promessa e de felicidade.
Nevoeiro «O Encoberto»: Associado à esperança e à regeneração.
Graal: Simboliza o dom da vida e a espiritualidade.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Uma leitura de «Horizonte»
Horizonte
O mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.
Linha severa da longínqua costa –
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto, abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe a abstracta linha.
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte –
Os beijos merecidos da Verdade.
Fernando Pessoa
- A definição do sonho como impulso para conhecer o longe - metáfora do Desconhecido. A necessidade de vencer o medo... Ir mais além, buscar além do horizonte: a nau (segurança que permite realizar a travessia dos mares - e da existência - chegando ao Horizonte lonquínquo mas belo); a árvore (renovação, vida em evolução), a praia (liberdade, os novos horizontes mais amplos), a flor (amor, harmonia), a ave (mundo divino), a fonte (a origem da vida)...
Buscar a Verdade dentro desses valores espirituais.
1. O tema do texto é o sonho. O eu poético ao definir o sonho como algo «invisível» remete-nos para o distante a que um sonho nos projecta, daí usar o substantivo «Horizonte». Horizonte - Surge como um espaço ilimitado e longínquo do projecto ou do sonho que os portugueses procuram alcançar.
2. Este texto possui duas partes distintas. A primeira corresponde às duas primeiras estrofes. Nelas, o sujeito poético fala-nos de …
No poema existe uma evocação ao mar e ao seu domínio, mais precisamente à época dos descobrimentos: - Invocação ao mar, espaço por descobrir; o caminho da viagem; - A visão e a descoberta de um mundo novo a dominar;
3. Ignorância, desconhecido, …